segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O Diabo é o que mesmo?

São muitas as representações do diabo ao longo dos tempos. Diabo, capeta, demônio, satanás, personificação do mal e inimigo de Deus são as nossas mais conhecidas. Satan e belzebu para os hebreus; Shaitan para os árabes; Belial, na mesopotâmia; entre outros. Figura universal, está presente na história da humanidade e em suas principais civilizações. De acordo com historiadores, a figura do diabo surge de forma dualista, como bem ou mal, belo ou feio, luz ou sombra. Tais antagonismos tornaram- se mais expressivos e significativos com o fortalecimento do cristianismo tornando-se posteriormente objeto de estudo, discussão e inspiração para nomes como Voltaire, Freud e Goethe.


Em geral, tanto no oriente quanto no ocidente, o diabo é a reprodução concentrada do mal ou mesmo a  representação de um ser maléfico que cai em desgraça com Deus e torna-se inimigo do homem. Durante o período que antecede o cristianismo, descrito no velho testamento da Bíblia cristã, o mal se apresenta de formas diversas, a exemplo da cobra no paraíso. Já no novo testamento ganhou o nome de Lúcifer, um integrante da corte celeste de grande prestígio que se revoltou coma a escolha de Deus ao eleger Adão (e não Lúcifer) como seu representante na terra. Neste ponto, as histórias do Alcorão e da Bíblia coincidem: De acordo com o Alcorão, Deus teria ordenado que todos se prostrassem diante do primeiro homem. Lúcifer ou Iblis, como chamado pelo Alcorão, acompanhado de uma legião de outros demônios, negaram-se a fazê-lo e, como na briga citada pelo Apocalipse, foram banidos da corte celeste.

Com o fortalecimento da Igreja Católica na Idade Média, a imagem antagônica entre paraíso e inferno e, consequentemente, entre Deus e o Diabo tornaram-se cada vez mais presentes e úteis à igreja como forma de controle social. É bom lembrar que a igreja exercia neste período influência sobre todos os setores da sociedade, principalmente no econômico e no social servindo de peça de unificadora diante da divisão política estratificada do feudalismo. A igreja exercia seu poder por meio da fé, do temor a Deus, à inquisição e, por que não, ao Diabo. Assim, as imagens do inferno, do diabo e dos demônios serviam como forma de repressão e regulação numa época em que o monopólio da comunicação com Deus estava restrita às mãos do clero.

Foi nesse período que o mito do Diabo cristão, como assim chama o Historiador e mestre em Ciências da Religião Marcos Renato Holtz De Almeida, passou por um processo de sistematização e unificação, adquirindo as características que o marcaram na época moderna. Segundo Marcos, “se em dados momentos o Diabo é uma figura terrível e temida nos afrescos das igrejas e nas telas dos pintores renascentistas, em outros momentos ele é submetido a ironias e aproximado à mentalidade dos burgueses na era romântica, tornando-se reflexo de uma sociedade contrária às ideologias da Idade Média e do Antigo Regime”. O mito vivenciou seu auge durante o movimento renascentista (séculos XIV-XVI), que foi posteriormente enfraquecido pelos filósofos e cientistas do Iluminismo nos séculos XVII e XVIII.

A figura do Diabo como forma de controle começou a perder espaço durante a era da Moderna, mas nem a razão, o pensamento crítico ou mesmo o processo de secularização e legitimação do poder da esfera civil - que tirou da igreja o controle social exercido na Idade Média - retiraram sua figura do imaginário da população. Saído dos muros das igrejas, no século XX, o mito do diabo entra de vez no universo da literatura, do cinema, dos jogos de videogame e rpg, da publicidade, da música, das histórias em quadrinhos e, claro, da Internet. O mito mudou de foco e passou a ser reflexo do próprio homem. Como ele é refletido? Bem, a música dos Rolling Stones vai explicar melhor do que eu e meu cansaço.

Segue abaixo o vídeo e a letra da música Sympathy for The Devil, dos Rolling Stones, que traz a representação do diabo em algumas situações, inclusive como reflexo do homem.



Veja  a letra: http://letras.terra.com.br/the-rolling-stones/33903/traducao.html

1 comentários:

Tudo Sobre Tudo disse...

eu *-*
achoo quêe o
(666*
éer o quêe éer *-*
issoo ñ miim coonvenceeu *-*
que elee éer ouutra coiisa *-*