domingo, 10 de outubro de 2010

Sem político e sem partido

Escolher em quem votar nas últimas eleições não foi fácil, mas em 2010 me senti ainda pior. Não houve um candidato sequer a deputado estadual ou federal que tenha conseguido meu voto, por exemplo. A cada programa assistido a única coisa que passava pela minha cabeça era: “sim, prometa mais que vou fingir que acredito”. É incrível como em poucos segundos ele conseguem prometer tanta coisa e fazer tão pouco em 4, 8, ou até 12 anos, para os que já estão a mais tempo na carreira. Para a presidência, a escolha do voto foi ainda pior, pois abster-me de opinar até neste quesito seria o cúmulo de minha covardia, e para este eu tive mesmo que escolher. Meu voto ao governo estadual, ao menos, sempre esteve definido, mas mesmo assim não consegui enxergar futuro no senado.

Passei os últimos meses às voltas com institutos de pesquisa e notícias que não me davam o mínimo de segurança. Em relação às propostas, se Dilma é a continuação de Lula, ótimo, descartada, tem muita coisa na política dele com as quais não concordo – sua forma de ‘distribuição’ de renda é a principal delas. Serra, pra mim, é a representação de uma época de privatizações e falta de incentivo à educação em todos os níveis. Marina, o meio termo. Suas idéias eram boas, mas em seu programa de governo haviam pontos muito genéricos – exceto com relação à política verde. A forma com que as opiniões do Plínio repercutiram também chamou minha atenção, mas a essência do seu programa era tão utópica...

Pois bem, após analisar as propostas, parti para a visualização do Brasil que eu gostaria para mim, meus filhos, netos e etc . Descobri que confiava ainda menos nas propostas apresentadas e fui obrigada a reconhecer que muitas de minhas críticas baseavam-se também em minhas utopias: um país com emprego e SALÁRIOS dignos, oportunidades de crescimento, EDUCAÇÃO e SAÚDE de qualidade – esses dois últimos, as bases para que todas as outras ações de desenvolvimento aconteçam de verdade – além de respeito, SEGURANÇA, uma política interna menos atrelada aos interesses pessoais, políticos ou de partidos e mais dedicada ao interesse público, enfim, só falta mudar meu nome para Alice e dizer que sonho com o país das maravilhas.

A mídia, formadora de opinião, também não ajuda. Aos olhos mais leigos, factóides, manipulações e distorção de fatos passam despercebidos tornando-se críveis aos desavisados. Apesar de não ser a favor de nenhum dos candidatos, concordo menos ainda com a cobertura das eleições feita pela chamada “grande mídia” e algumas “pequenas mídias” em vários estados Brasil a fora que tentam aparentar imparcialidade política, mas utilizam artifícios pra exaltar ou denegrir – muitas vezes de forma descarada - a imagem de determinados candidatos. Não condeno o apoio dado a determinados grupos políticos pelos meios de comunicação, de forma alguma! Desde que o apoio seja explícito e que os leitores estejam cientes deste posicionamento. Mas não é isso que acontece.

Espero, sinceramente, que neste segundo turno os candidatos, os debates e os meios de comunicação tornem este processo tão importante em algo mais envolvente e chamem – de formas positivas, sem escândalos ou falsas notícias – a atenção dos eleitores que, como eu, sentem-se órfãos e decepcionados.

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